Mas o planeta não é descartável…  Vamos falar sobre produtos descartáveis?

 

Praticidade, segurança, higiene. Estas são algumas das razões por trás do uso de produtos descartáveis. A invenção não é recente, mas atingiu volumes descontrolados e se tornou um grande problema para a gestão de resíduos.

Os primeiros pratos de papel foram produzidos no final do século XIX pelo mestre encadernador Henschel, em Luckenwalde, na Alemanha. A intenção era encontrar uma forma mais higiênica de embalar e servir alimentos. Pouco depois, nos Estados Unidos, um oficial de saúde de Kansas fez uma campanha em 1908 para retirar de utilização pública os utensílios comuns de beber e comer por serem potenciais meios de transmissão de doenças. O americano Lawrence Luellen viu isso como uma oportunidade e inventou, em 1919, um copo de papel simples e leve, destinado a ser utilizado uma só vez. Inicialmente batizado de “Health Kup” (copo saudável), teve seu nome alterado para Dixie Cup e ganhou fama.

De lá para cá, a coisa só cresceu. Justificados pela segurança (utensílios descartáveis não causam lesões) e pela higiene (não ficam contaminados por restos de comida ou bebida), a fabricação e o uso de descartáveis invadiram o cotidiano das pessoas: copos, copinhos, pratos, talheres, saquinhos são presença certa em restaurantes, lanchonetes, feiras de rua, comida para levar, festas, shows, estádios, escritórios (pense nos copinhos de café!) e muitas outras ocasiões.

 

Quando a solução vira problema

Apesar das vantagens, a questão é que produto descartável é… descartável. Um produto que passa por toda a cadeia de produção — uso de recursos matérias-primas, energia, transporte etc. — para ser usado uma só vez e virar lixo.

Além do impacto no volume de geração de resíduos, ainda pode entrar na conta do lixo descartado de forma inadequada. Para se ter uma ideia, só o Brasil produz cerca de 100 mil toneladas de copos descartáveis por ano. De acordo a ONU, produtos descartáveis, como talheres, copos e embalagens de comida, formam 80% do lixo marinho.

Os copos de plástico descartáveis são produzidos a partir de poliestireno, componente derivado do petróleo, que é uma fonte não renovável de matéria-prima. Produtos fabricados a partir desse material não são biodegradáveis, levando mais de 450 anos para serem decompostos pela natureza.

 

O jeito é proibir

Está em tramitação no Congresso, um projeto de lei para proibir, a partir de 2022, a comercialização e o uso no país de produtos plásticos de único uso — com exceção de produtos essenciais à saúde pública, à alimentação e à produção industrial. O projeto prevê também o incentivo a produtos biodegradáveis e à reciclagem.

Algumas cidades se anteciparam e já fizeram leis para proibir o uso de descartáveis. Em São Paulo, por exemplo, entrou em vigor no início de 2021 a lei n° 17.261 que proíbe copos, talheres e pratos de plástico em estabelecimentos da cidade. Está proibida a distribuição de produtos descartáveis de plástico “aos clientes de hotéis, restaurantes, bares e padarias, entre outros estabelecimentos comerciais”. Além disso, a lei também se aplica a “espaços para festas infantis, clubes noturnos, salões de dança, eventos culturais e esportivos de qualquer espécie”. Os utensílios devem ser substituídos por similares de material biodegradável, compostável e/ou reutilizável a fim de permitir a reciclagem.

De acordo com a Prefeitura, os itens plásticos descartáveis correspondem a pelo menos 16% do lixo nos aterros de São Paulo. Em 2020, o estado de São Paulo já havia banido por lei o uso de canudos plásticos. A ideia se espalhou e hoje são 8 estados mais o Distrito Federal que praticam a proibição. Há também iniciativas em nível municipal: em pelo menos 80 cidades, boa parte situadas no litoral, estão em vigor leis que proíbem canudos plásticos. O Rio de Janeiro foi a primeira cidade a banir o item em quiosques, bares e restaurantes.

 

Faça a sua parte

Todos nós podemos contribuir nesse desafio dos descartáveis, priorizando o uso de opções reutilizáveis ou alternativas biodegradáveis. Veja algumas dicas:

  • Ande sempre com o seu copo ou garrafa reutilizável na bolsa ou mochila. Pode ser de inox, alumínio, vidro, porcelana ou até de plástico durável.
  • Cobre dos estabelecimentos a oferta de utensílios reutilizáveis, como pratos, copos e talheres. Em lanchonetes e restaurantes, por exemplo, caso o estabelecimento ofereça copo de plástico descartável, peça um de vidro e explique o motivo pelo qual você está fazendo esta troca — essa atitude pode até render uma boa conversa sobre o assunto.
  • Adote o hábito de usar sacolas retornáveis. Quando for às compras, leve sempre a sua. Se esquecer, veja se o estabelecimento pode oferecer alguma caixa de papelão para você acondicionar as compras.
  • Quando fizer compras a granel, se possível, leve seus próprios recipientes. Se não puder, prefira embalagem de papel ao invés de sacos e sacolas plásticas.
  • Em casa, não use guardanapos de papel: prefira guardanapos de pano, que são laváveis e reutilizáveis.
  • Seja um ativista ambiental: cobre dos fabricantes a adoção de alternativas sustentáveis. Hoje já existem várias opções reutilizáveis ou biodegradáveis — como embalagens feitas a partir de mandioca, farelo de trigo, fibra de coco e milho; utensílios de madeira; canudos de inox e de macarrão cru; dentre outras.

 

 


FONTES

Agência Câmara de Notícias
descartaveis.org
ecycle.com.br
folha.uol.com.br
g1.globo.com