De inovação a catástrofe ambiental: vamos falar sobre plástico?

 

O plástico revolucionou as embalagens e também permitiu a confecção de produtos impensáveis em um contexto em que ele não existia. Contudo, seu uso exagerado e descarte inadequado vêm trazendo desafios. 

Ao mesmo tempo em que parece impossível imaginar o mundo sem plástico, precisamos urgentemente reduzir seu uso, aumentar sua taxa de reciclagem e ainda encontrar alternativas de substituição. A produção mundial de plástico cresce constantemente há mais de meio século. Apesar de tecnologias de reciclagem, o volume que vai parar em aterros, lixões, rios e mares é assustador.

O mundo gera 1,4 bilhão de toneladas de lixo a cada ano e, desse total, estima-se que 10% sejam plástico (cerca de 140 milhões de toneladas). A média global de reciclagem plástica é de 9% — ou seja, mais de 127 milhões de toneladas de resíduos plásticos são descartados no meio ambiente todo ano. O Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. E, desse total, apenas 1,3% é efetivamente reciclada — índice bem abaixo da média global de 9%.

 

Definitivamente, um problemão!

O descarte de plástico tem múltiplos impactos ao meio ambiente, à biodiversidade e à saúde humana:

  • A queima ou incineração do plástico pode liberar na atmosfera gases tóxicos extremamente prejudiciais à saúde humana. 
  • O descarte de resíduo plástico ao ar livre polui aquíferos, corpos d’água e reservatórios, provocando aumento de problemas respiratórios, doenças cardíacas e danos ao sistema nervoso de pessoas expostas.
  • A poluição dos oceanos também é preocupante. Segundo estudo do WWF e do Banco Mundial, o volume de plástico que vaza para os oceanos todos os anos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas, o que equivale a 23 mil aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos os anos — são mais de 60 por dia!
  • Plástico nas águas afeta as espécies, que podem ficar presas ou ainda sufocar ao ingerir resíduos plásticos, entre outros danos. 
  • Na poluição do solo, um dos vilões é o microplástico oriundo das lavagens de roupa doméstica e o nanoplástico da indústria de cosméticos, que acabam sendo filtrados no sistema de tratamento de água das cidades e acidentalmente usados como fertilizante, em meio ao lodo de esgoto residual. Quando não são filtradas, essas partículas acabam sendo lançadas no ambiente, ampliando a contaminação.
  • Micro e nanoplásticos vêm sendo ainda consumidos por humanos via ingestão de sal, pescados, principalmente mariscos, mexilhões e ostras. Estudos indicam que 241 em cada 259 garrafas de água também estão contaminadas com microplásticos. Apesar de alarmante, ainda são pouco conhecidos os impactos desta exposição humana, a longo prazo.
  • Plásticos contendo um composto químico chamado bisfenol podem parar no organismo humano por contato ou por meio de alimentos, causando graves danos à saúde.

 

Consciência e confusão

Uma maré alta de jornalismo, ativismo e publicidade corporativa tornou o plástico uma verdadeira preocupação ambiental para governos, cientistas, ONGs e pessoas comuns do mundo inteiro. Mas a maior consciência também gera confusão sobre as responsabilidades e as opções das pessoas, e o papel dos governos e da indústria em reduzir a poluição do plástico.

Aumentar a reciclagem e reduzir o consumo são as soluções propostas por especialistas. Mas a substituição do plástico por produtos alternativos, como papel e vidro, também é uma alternativa considerada por muitas pessoas. O fato é que, mesmo que os consumidores estejam empenhados em diminuir a quantidade de plástico consumida (e descartada), uma solução real e sustentável para o problema precisa de ações robustas de governos e organizações. Como cidadãos, podemos (e devemos) fazer a nossa parte na redução, reciclagem e substituição — mas também precisamos nos organizar, discutir alternativas e cobrar medidas do poder público e das empresas.  

 

Tipos de plástico

Os plásticos se diferenciam pela extensão e estrutura dos polímeros, além da sua usabilidade. Eles são, basicamente, divididos em termoplásticos (com estrutura menos rígida e mais facilmente remoldáveis sob aquecimento, são recicláveis) ou termorrígidos (não derretem quando aquecidos e, por isso, não são recicláveis). Além dessa divisão, o plástico é categorizado em 7 tipos:

    1. PET (Tereftalato de polietileno): termoplástico muito utilizado por ser transparente, inquebrável, impermeável e leve. Alguns exemplos de aplicação: garrafas de refrigerante, frascos de cosméticos, filmes para áudio e vídeo.
    2. PEAD (Polietileno de alta densidade): termoplástico utilizado por ser inquebrável, resistente a baixas temperaturas, leve, impermeável, rígido e com resistência química. Alguns exemplos de aplicação: embalagens de detergente e óleos automotivos, tampas, potes, utilidades domésticas.
    3. PVC (Policloreto de vinila): termoplástico utilizado por ser rígido, impermeável, resistente à temperatura, inquebrável e pode ser transparente. Alguns exemplos de aplicação: embalagens de maionese, perfis para janelas, tubulações, mangueiras, brinquedos.
    4. PEBD (Polietileno de baixa densidade): termoplástico utilizado por ser flexível, leve, transparente e impermeável. Alguns exemplos de aplicação: sacolas de supermercado, sacos industriais, filmes para fraldas descartáveis, bolsas de soro, sacos de lixo.
    5. PP (Polipropileno): termoplástico com características de conservar aromas, ser inquebrável, transparente, brilhante, rígido e resistente a mudanças de temperatura. Alguns exemplos de aplicação: filmes para embalagens, embalagens industriais, cordas, tubos para água quente, fios e cabos, autopeças, fraldas, seringas, utilidades domésticas. O PP possui uma variação chamada BOPP, um plástico metalizado de difícil reciclagem, usual em embalagens de salgadinhos e biscoitos. 
    6. PS (Poliestireno): termoplástico leve, com capacidade de isolamento térmico, flexível, moldável e de baixo custo. Alguns exemplos de aplicação: potes de iogurte e sorvetes, partes internas de geladeiras, pratos, tampas, copos descartáveis, aparelhos de barbear.
    • Outros plásticos

 

Para os consumidores saberem de qual tipo de plástico é feito o produto que estão adquirindo, há um padrão utilizado pelas fábricas: são números cercados por um triângulo com setas nos rótulos dos produtos ou gravados no próprio plástico. Esses símbolos orientam sobre o a separação e descarte seletivo. A numeração segue a lista acima de 1 a 6 e a sétima opção “Outros” é representada pelo número 0.

 

 

Para saber mais

 

 

Para refletir

  • Cada brasileiro produz, em média, 1 quilo de lixo plástico por semana.

 

 

 


FONTES

ecycle.com.br
maispolimeros.com.br
orb-media.org
wwf.org.br