Essa tal obsolescência programada

 

A OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA, também chamada de obsolescência planejada, é quando um produto lançado no mercado se torna inutilizável ou obsoleto em um período de tempo relativamente curto, de forma proposital. As empresas lançam mercadorias para serem rapidamente descartadas e estimulam o consumidor a comprar uma nova. Os itens já são lançados com a vida útil previamente estabelecida!

O avanço tecnológico do mundo moderno possibilita que novos produtos sejam lançados rapidamente e as tendências da moda mudam do dia para a noite. Esse processo planejado leva o consumidor a substituir seus equipamentos eletrônicos, geralmente sem necessidade.

A obsolescência programada é uma das grandes responsáveis pelo aumento do consumo e da geração de lixo, principalmente eletrônico.  Um exemplo clássico de obsolescência programada são os computadores que rapidamente se tornam ultrapassados porque foram lançados outros modelos com processadores mais velozes, placas de vídeos com maior definição ou um design atualizado.

 

Mas por que isso?

Esse fenômeno é comumente associado ao processo de globalização, entretanto, o seu início pode estar vinculado à Grande Depressão de 1929.

Durante a profunda crise econômica que marcou esse período, diante de um mercado consumidor impotente, observou-se que havia muitos produtos industrializados em estoque e que não eram comercializados, diminuindo o lucro das empresas, aumentando o desemprego e, consequentemente, reduzindo o consumo e aumentando a crise. Diante disso, observou-se que produtos duráveis desfavorecem a economia, pois reduzem o consumo. Entre os economistas norte-americanos, tornou-se popular o jargão “Um produto que não se desgasta é uma tragédia para os negócios”.

O exemplo mais citado por estudiosos, críticos e especialistas no assunto foi um cartel organizado por grandes empresas que produziam lâmpadas. Elas se organizaram para reduzirem o tempo de vida útil de uma lâmpada a fim de aumentarem as vendas dos produtos. Sabe-se que a primeira lâmpada inventada durou cerca de 1.500 horas; no início do século XX, as lâmpadas tinham uma vida útil média de 2.500. Entretanto, após a Grande Depressão e a formação do cartel, o tempo de vida útil foi reduzido abruptamente para 1.000 horas.

Outro exemplo dessa situação foi o caso do lançamento do iPad 4, da empresa Apple, que foi processada pelo Instituto Brasileiro de Política e Direito da Informática por lançar a versão poucos meses depois de ter colocado em circulação o iPad 3. Os usuários desse produto, diante do lançamento de uma nova versão que praticamente não apresentava diferenças técnicas, viram o seu produto como obsoleto e procuraram comprar a nova versão. Essa não é uma ação de uma única empresa, mas uma tendência coletiva de mercado.

O consenso entre os especialistas em tecnologia e mercado consumidor é estabelecer campanhas de contenção do consumo desenfreado, bem como a adoção de medidas que visem ao combate à obsolescência programada por parte dos fabricantes. Isso porque tal processo pode trazer sérios danos ao meio ambiente, uma vez que mais consumo gera mais lixo, que tem de ser descartado.

 

Para refletir

  • A obsolescência programada pode ser tanto técnica quanto psicológica. Por exemplo, se um computador fica obsoleto porque não é capaz de rodar uma nova versão de software que demanda mais capacidade de processamento e memória, este é um caso de obsolescência técnica. Você pode optar por ficar com o equipamento, mas vai ter de se contentar em usar a versão mais antiga do software. Mas a versão antiga pode ser descontinuada e aí você fica sem saída. Outro exemplo de obsolescência técnica é o avanço nas tecnologias de economia de energia por eletrodomésticos. Aquela sua geladeira de dez anos continua funcionando, mas ela gasta muito mais energia elétrica do que um modelo atual. Já a obsolescência psicológica é mais traiçoeira… porque mexe com as nossas emoções. O caso do iPad 3 e iPad 4, citado acima, é um exemplo. O consumidor é levado a comprar um novo produto para não ter a sensação que ficou para trás no tempo — é como se a mente dissesse “eu preciso ter a versão mais nova”. Isso acontece o tempo todo com smartphones, notebooks, fones de ouvido etc. E vai, inclusive, além dos eletrônicos: a obsolescência psicológica atinge tudo o que tem a ver com moda.

 

FONTES

brasilescola.uol.com.br
ecycle.com.br
idec.org.br
super.abril.com.br