Quando o lixo vira arte

 

Quando a arte e o lixo se relacionam, eles desafiam o sentido de tudo. Se no passado ambos tinham bem definidos seus significados, cada qual em seus lugares estabelecidos, em certo momento da era moderna esses conceitos se transformaram: a arte pode virar lixo e o lixo pode virar arte. 

 

Crédito: Wikimedia

Dadaísmo

Foi o Dadaísmo, movimento artístico do início do século XX, que encontrou no lixo o elemento de transgressão que procurava criticar as guerras e a insensatez humana. Em 1913, o francês Marcel Duchamp instalou uma roda de bicicleta sobre um banquinho. É dele também A fonte (na foto ao lado), um urinol de porcelana, considerada uma das obras mais representativas desse movimento artístico. Com essas obras, Duchamp desafiava os valores estéticos e artísticos da época.

Para os dadaístas, qualquer objeto jogado na rua poderia se transformar em peça artística. No início do século XXI, a razão do lixo ser utilizado na produção artística relaciona-se principalmente às discussões mundiais sobre meio ambiente. É nesse contexto que ele passa a ser o foco do olhar do artista, tornando-se instrumento para a criatividade, a expressão e até para o ativismo.

 

São inúmeros os artistas que usam lixo para fazer obras de arte. Conheça alguns:

 

O artista plástico brasileiro Vik Muniz é reconhecido no mundo todo. Notabilizou-se por utilizar materiais pouco usuais em suas obras, como chocolate, açúcar, catchup, gel para cabelo e lixo. Ao longo de dois anos, Vik Muniz frequentou o aterro sanitário do Jardim Gramacho — localizado na periferia de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro — a fim de fotografar um grupo de catadores de materiais recicláveis para retratá-los com sua arte usando o lixo como matéria-prima. Essa jornada se transformou no aclamado e premiado documentário “Lixo Extraordinário”, dirigido pela inglesa Lucy Walker, em parceria com os brasileiros João Jardim e Karen Harley. O documentário está disponível na Netflix e no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=JLTY7t8c_x0).

Crédito: Reprodução / GreenMeBrasil

 

O artista visual americano Paul Villinski utiliza matérias-primas como latas de alumínio e luvas velhas para criar formas aladas — asas e borboletas.

Crédito: Reprodução / Paul Villinski

 

A artista japonesa Sayaka Kajita faz esculturas utilizando peças de plástico como colheres e copos, passando a ideia de movimento de forma impressionante.

Crédito: Reprodução / Ciclo Vivo

 

A americana Ann P. Smith aproveita peças de eletrodomésticos e eletrônicos descartados para criar as esculturas-robôs.

Crédito: Reprodução / Ciclo Vivo

 

O artista brasileiro Jaime Prades encontra nas ruas sua matéria-prima principal: a madeira. Ele recolhe restos de madeira e móveis velhos para construir novas peças. Prades tanto refaz móveis quanto constrói “árvores”.

Crédito: Reprodução / Ciclo Vivo

 

A americana Erika Iris Simmons reaproveita antigas fitas cassetes para criar quadros de ícones da música e do cinema — como John Lennon e Michael Jackson — criando a metáfora do obsoleto que imortaliza o espírito dos retratados.

Crédito: Reprodução / Ciclo Vivo

 

 


 

FONTES

catracalivre.com.br
ciclovivo.com.br
cienciaecultura.bvs.br
greenmebrasil.com