Gestão de resíduos: por que precisamos melhorar?

 

O Brasil enfrenta sérias dificuldades para a destinação correta dos resíduos sólidos. Cerca de 40% do lixo coletado no Brasil não são descartados adequadamente e acabam indo parar em lixões ou aterros controlados, que são prejudiciais ao meio ambiente e à saúde pública. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tratamento de Resíduos Sólidos e Efluentes (Abetre), cerca de 60% dos municípios brasileiros ainda utilizam lixões. As regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste registram a maior quantidade de destinação incorreta.

 

Lixão, aterro controlado, aterro sanitário: qual a diferença?

O LIXÃO pode ser definido como um local onde o lixo é depositado sem nenhum tipo de cuidado. O lixo é simplesmente empilhado, sem cuidados com a separação de produtos orgânicos e inorgânicos, nem com a reciclagem e o tratamento dos resíduos que podem contaminar o solo, lençóis freáticos, rios e aquíferos.  Isso significa que lixões tornam-se grandes depósitos a céu aberto com os mais variados materiais lançados indiscriminadamente, desde lixo residencial, como restos de comida e papel higiênico, até resíduos tóxicos e contaminantes, como lixo hospitalar. 

— Vale destacar que o lixo hospitalar não deve jamais ser descartado em lixões! A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determina regras claras para armazenar, transportar e destinar corretamente esses resíduos. Eles devem ser tratados por empresas especializadas e geralmente são incinerados antes de serem levados aos aterros.

Os locais em que o lixo recebe uma cobertura com terra são chamados de ATERROS CONTROLADOS, mas a técnica não acaba com a contaminação, apenas inibe o mau cheiro e a proliferação de insetos e animais vetores de doenças. É, por isso, considerada uma destinação incorreta para o lixo, assim como os lixões.

Os sistemas mais adequados para a destinação do lixo são os ATERROS SANITÁRIOS. Esses aterros são construídos em locais distantes de mananciais e áreas residenciais. Sua estrutura base é constituída por materiais impermeabilizantes, como o PVC, para que o chorume — líquido formado pela decomposição do lixo — não infiltre no subsolo, podendo até mesmo ser reaproveitado através do sistema de compostagem para a produção de adubos e fertilizantes naturais ou como fonte de energia por meio da recuperação do gás metano produzido durante a decomposição de matérias orgânicas. Os aterros sanitários possuem um custo elevado e um prazo específico para a sua utilização — em média, entre 20 e 30 anos. Mas é um custo que vale a pena pelos benefícios que proporciona: segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), para cada dólar gasto em boa gestão de resíduos, economizam-se quatro dólares em saúde pública. Ou seja, aterro sanitário não é gasto, é investimento!

Outra forma de gestão de resíduos é a INCINERAÇÃO DO LIXO. Esta é uma opção dispendiosa e muito utilizada em países como Japão e Austrália. Mas, atenção, não significa simplesmente colocar fogo no lixo, não! As instalações modernas de combustão de lixo são projetadas para destruir o lixo e recuperar energia, que é utilizada para produzir vapor e eletricidade. 

— Vale destacar que a queima de lixo doméstico é crime no Brasil, previsto na Lei de Crimes Ambientais, nº 9.605 de 1988. O artigo 54 descreve o crime de poluição, que consiste no ato de “causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora”. A queima de lixo doméstico é um exemplo clássico desse tipo de crime — ela emite poluição na forma de fumaça, causa risco de incêndio para as habitações locais, destrói a vegetação e pode causar a morte de animais que ocupem as redondezas. A pena é de 1 a 4 anos de reclusão e multa. A Lei prevê penas maiores para hipóteses mais graves, como no caso do crime tornar uma área imprópria para ocupação humana, causar poluição a ponto de necessitar a retirada dos habitantes da área afetada, causar danos diretos à saúde da população, dentre outras.

 

Danos causados pela disposição inadequada de lixo em lixões

  • Contaminação do solo: matéria orgânica em decomposição (como os restos de comida), substâncias tóxicas e organismos causadores de doenças podem tornar o solo contaminado. 
  • Contaminação do lençol freático: lixo, ao se decompor, forma uma substância escura e de odor desagradável, chamada chorume. Nos lixões, esse líquido pode contaminar a água subterrânea, tornando-a imprópria para o nosso uso.
  • Produção de gases tóxicos: a decomposição do lixo produz gases que podem causar danos à saúde. Esses gases também podem provocar focos de incêndio, que soltam fumaça tóxica.
  • Atração de animais que transmitem doenças: o lixo é um local ideal para a sobrevivência de animais como baratas e ratos. Além disso, o material descartado em lixões pode acumular água e, consequentemente, virar um criadouro para mosquitos, como o Aedes aegypti, responsável pela transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya.

 

 

Para refletir: o problema vai além do meio ambiente

  • Os lixões são muito mais que um problema ambiental. Esses depósitos de lixo também constituem um problema social, uma vez que pessoas em situação de extrema pobreza vivem nessas áreas, catam comida estragada para se alimentar e buscam nos rejeitos uma forma de conseguir dinheiro para sua sobrevivência e de suas famílias. É uma condição subumana que envolve também crianças e adolescentes. Nesse ambiente, o lixo ameaça a vida dessas pessoas, pois elas ficam expostas a agentes causadores de doenças, gases tóxicos e materiais que podem causar acidentes, como lascas de madeira e vidro quebrado.

 

 


FONTES

brasilescola.uol.com.br
correiobraziliense.com.br
ecycle.com.br
escolakids.uol.com.br
g1.globo.com
greenmebrasil.com.br
saneamentobasico.com.br
tjdft.jus.br