Economia circular: inspirada pela natureza

 

A ECONOMIA CIRCULAR é um conceito baseado na inteligência da natureza, onde os resíduos são considerados insumos para a produção de novos produtos.  Pela lógica da natureza, onde tudo acontece de forma cíclica e harmônica, nada é lixo, tudo é recurso. As plantas se alimentam da luz do sol e dos nutrientes da terra, os animais herbívoros se alimentam das plantas, os animais carnívoros comem outros animais. E cada um, quando morre, volta para a terra e se transforma em nutrientes, que vão alimentar as plantas e fazer o ciclo começar de novo. 

Também chamado de “do berço ao berço” (do inglês, cradle to cradle), o conceito de economia circular é transportado para a cadeia produtiva das atividades humanas, fazendo com que todo o processo seja repensado para, de forma circular, transformar resíduos em insumos. O destino final de um material deixa de ser uma questão de gerenciamento de resíduos, mas parte do processo de design de produtos e sistemas.

 

De linear a circular

O modelo da economia circular se opõe ao conceito de economia linear — onde o fluxo é extração de recursos naturais, fabricação do produto, consumo e descarte de resíduos. Nesse modelo, além dos resíduos gerados, o esgotamento de matérias-primas também é uma grande preocupação.

Já o modelo circular introduz fluxos de reutilização, restauração e renovação, tornando o ciclo muito mais sustentável e minimizando a geração de resíduos e a extração de novos recursos naturais. Na economia circular, ao invés de se descartar os materiais não biodegradáveis — como eletroeletrônicos obsoletos, por exemplo —, esses materiais voltam ao ciclo produtivo. Como? Eles voltam para as fábricas, são desmontados, transformados e utilizados para compor novos produtos. 

O processo beneficia não só o meio ambiente, como também a economia, criando novas oportunidades de aproveitamento de recursos. Para que o processo seja o melhor possível, tudo precisa ser pensado de forma inteligente desde a concepção dos produtos, buscando, por exemplo, utilizar materiais mais facilmente recicláveis e não perigosos.

 

Da teoria à prática

Algumas empresas no mundo já colocaram o conceito em prática, como é o caso da Puma, que tem 128 produtos no mercado com o selo Cradle to Cradle. A empresa recebe consultoria do químico alemão Michael Braungart, um defensor da economia circular e criador do selo.

Em 2010, a Fundação Ellen MacArthur foi estabelecida com a missão de acelerar a transição rumo a uma economia circular. A entidade é responsável pelo programa CE100 (Circular Economy Hundred) — que reúne grandes empresas, governos e cidades, instituições acadêmicas, startups inovadoras e organizações afiliadas para colaborarem no salto coletivo para essa nova estrutura. Nomes como Coca-Cola, Google, Unilever, Philips e Renault estão na lista. A Fundação já lista vários casos de sucesso, tanto de empresas quanto de cidades.

 

Reciclagem de pilhas e baterias também é exemplo de economia circular

Pilhas e baterias: todo mundo usa e todo mundo receia como descartar. Afinal, elas possuem em sua composição substâncias perigosas e, se forem descartadas incorretamente, podem ser danificadas e causar, entre outros riscos, incêndios. Esses materiais não devem jamais ser jogados no lixo doméstico. Eles devem ser embalados em plástico resistente e descartados em postos de recolhimento especializados, previstos pela logística reversa da Política Nacional de Resíduos Sólidos. 

A boa notícia é que a reciclagem de pilhas e baterias consegue recuperar quase 100% do material! E isso é muito significativo, considerando que só o Brasil produz mais de 1 bilhão de toneladas de pilhas e baterias por ano.

Veja como acontece o processo de reciclagem:

  1. Triagem: as pilhas e baterias são separadas por tipo e marca e, em seguida, destinadas para o processamento.
  2. Trituração: nesse processo, a capa das pilhas e baterias é removida, para que as substâncias do interior possam ser tratadas.
  3. Processo químico: as pilhas e baterias são submetidas a um processo de reação química em que são recuperados sais e óxidos metálicos que serão utilizados como matéria-prima em processos industriais, na forma de corantes e pigmentos.
  4. Processo térmico: nessa fase, as pilhas e baterias são inseridas em forno industrial a alta temperatura para promover a separação do zinco. Com isso, ele pode ser recuperado em sua forma metálica e ser reutilizado como matéria-prima na confecção de novas pilhas e baterias.

 

Para saber mais

 

 


FONTES

ecycle.com.br
ellenmacarthurfoundation.org/pt