Tecnologias divertidas

Imagine a sua escola com espaços lúdicos de aprendizagem, laboratórios de ciências, museu e outras estruturas pedagógicas que podem complementar as aulas e enriquecer a prática dos alunos. Isso é possível utilizando a imaginação e reaproveitando os resíduos coletados na escola. Confira algumas sugestões de atividades, experimentos e projetos inspiradores.

COMPOSTAGEM

Como começar: selecione um local de fácil acesso para instalar a composteira, protegido das chuvas e com Sol em uma parte do dia.

Local O que não vai para a compostagem O que vai para a compostagem Forma de utilização
Cozinha Óleos

Gordura animal (restos de frango, carne, peixe)

Cascas e talos de frutas, verduras e legumes

Cascas de ovos, borra de café, sachês de chá

Restos de pães, bolos e biscoitos

Alimentos cozidos (arroz, feijão)

Esses materiais são chamados resíduos verdes e têm decomposição rápida, mas podem compactar o material a ser compostado e elevar a umidade.
Sala de aula Papeis gordurosos Pontas de lápis, cascas de frutas, restos de pães e papeis Os papeis podem ser picados para facilitar a compostagem.
Áreas verdes Tijolo, concreto, grandes pedaços de madeira Folhas, gramas, podas, galhos de arvores Considerados resíduos marrons são importantes fontes de carbono na compostagem pois controlam a umidade e permitem a aeração.
Varrição do pátio Itens grandes devem ser separados Poeira, terra, papeis Na maioria das vezes não é possível aproveitá-los, pois recebem muitas embalagens de pequenos plásticos.

Desenvolvimento: a composteira pode ser preparada diretamente no solo ou sobre pallets. Há a opção de fazer barreiras laterais com madeira, concreto ou telas de arame, de forma que o composto não se espalhe pelo terreno. As pilhas (também chamadas leiras) devem ter altura máxima de 1,20 metro para facilitar o revolvimento e evitar que o peso compacte os resíduos.

Distribua as lixeiras para separação: com a atividade mestra de Pesquisa Ação, metodologia sugerida no Guia do Educador, é possível identificar os locais de geração de resíduos orgânicos na escola. Utilize esse aprendizado para fazer lixeiras específicas para armazenar os resíduos orgânicos.

Mantenha o controle da umidade e da aeração: a compostagem ideal para espaços escolares é a aeróbia, ou seja, com presença de oxigênio e microorganismos. A temperatura pode chegar a até 70ºC, não há presença de cheiro ruim e o tempo de decomposição é menor.

Problema

Causa

Solução

Mau cheiro (cheiro de ovo podre ou de amônia) Material muito compactado ou com excesso de matéria verde Revolva a leira e acrescente mais matéria marrom.
Material está atraindo ratos, baratas e outros animais Alimentos expostos, muito material verde, material muito compactado Acrescente mais material marrom, revolva a leira e evite colocar carnes ou mais alimentos de origem animal.
O composto não está aquecendo Muita umidade, falta de oxigênio Faça um teste de umidade. Se estiver seca, molhe e revolva a leira.
Presença de moscas de fruta As moscas de fruta e drosófilas são habitantes naturais da composteira Para diminuir a quantidade, acrescente matéria marrom em cima de cada camada e matéria verde.

Fique de olho!

Teste de umidade: para saber se a umidade da leira está correta, pegue um pouco do material do meio da pilha. Quando apertado, ele deve formar uma massa: se estiver esfarelando, está pouco úmido e se a água escorrer, é porque há excesso de umidade. Regue para umidificar ou acrescente mais material marrom para controlar a umidade.

Fonte: Manual de compostagem Ceagesp e Morada da Floresta.

HORTA COMUNITÁRIA

Como começar: comece investigando qual o melhor espaço para receber a horta. Ela pode ocupar pequenos ou grandes espaços, pode ser horizontal ou vertical, diretamente no chão ou em vasos. A única regra é que devem estar em um local acessível a todos e que receba Sol em boa parte do dia.

Desenvolvimento: após definir o local da horta, estimule os alunos a fazerem um mapa ou um desenho do local, pensando nas melhores estruturas para plantar os alimentos. Reserve um espaço sombreado para fazer a sementeira. Esse local servirá como um berçário, onde as sementes devem germinar até o plantio no local definitivo. Pode-se reutilizar recipientes como copinhos plásticos (furados no fundo), bandejas de ovos ou embalagens de leite cortadas.

Preparo dos canteiros: independentemente se a horta for plantada em vasos ou canteiros, ela deve ter uma boa drenagem. Sendo assim, a primeira camada a ser adicionada é de pedras, evitando que as raízes fiquem encharcadas. Os canteiros no chão devem receber uma barreira de contenção, que pode ser feita com garrafas PET enfileiradas, troncos, canos ou outro material que tiver disponível na escola.

Coloque terra adubada. Se a sua escola já tiver produzido composto da composteira, essa é a hora de usá-lo. Lembre-se que as plantas são nutridas pelo solo e dele depende a qualidade das hortaliças.

Hora do plantio: pesquise as hortaliças que mais se adaptam à quantidade de espaço e ao solo disponível. Pesquise também plantas que são companheiras e plantas antagônicas. Verifique quais gostam mais de Sol e quais crescem melhor em ambientes sombreados.

Irrigação: as plantas precisam receber água todos os dias. Você pode utilizar sistemas alternativos de irrigação como os de garrafas PET. Confira aqui.

Controle de pragas: a maioria das pragas comuns na horta pode ser tratada com defensivos naturais feitos com as próprias plantas. Nas aulas de Ciências, pode ser montado uma mini produção de defensivos. Saiba como aqui.

CONFECÇÃO DE PAPEL ARTESANAL

Como começar: monte um espaço específico para a produção do papel e das tintas. Dê preferência para um local com bom acesso à água e de fácil limpeza.

Desenvolvimento: comece organizando os materiais que serão utilizados em uma bancada, montando uma linha de produção.

Rasgue os papeis que podem ser aproveitados e deixe de molho em uma bacia, para amolecer as fibras (quanto mais tempo ficar, mais homogênea será a massa). Coloque o papel já amolecido com água no liquidificador na proporção de três partes de água para cada uma de papel. Despeje a polpa em uma bacia grande com água, maior que a moldura. Coloque o quadro sobre a moldura e mergulhe verticalmente até o fundo da bacia.

Suspenda na posição horizontal e espere até o excesso de água sair. Retire cuidadosamente o quadro de cima. Vire a moldura em um jornal, pano ou feltro, retirando o excesso de água que se acumulará sobre o quadro. Levante cuidadosamente o quadro, deixando a folha de papel secar no jornal, pano ou feltro.

Você também pode fabricar o seu próprio papel-semente. Confira aqui.

Fique de olho!

Conheça os papeis que podem ser aproveitados e os que não podem:

Recicláveis

Não Recicláveis

Jornais e revistas, folhas de caderno, formulários de computador, envelopes, rascunhos, caixas em geral, aparas de papel, fotocópias, papel de fax, cartazes e folhetos. Papel carbono, fita crepe, papéis metalizados, papéis parafinados, papéis plastificados, papéis sanitários, “papel” de bala, embalagens de biscoitos, papeis sujos, etiqueta adesiva e fotografias.

Fonte: Instituto Super Eco, 2010

TINTAS NATURAIS

Recursos: 100 mililitros de cola branca, 25 gramas do pigmento natural, 100 mililitros de água, peneira, potes plásticos, 1 colher de pau.

Conheça alguns ingredientes que viram tinta:

Ingrediente Cor
Pó de café Marrom
Casca de jabuticaba Rosa
Casca de uva preta Azul
Espinafre Verde
Beterraba Vermelho
Folha de beterraba ou cenoura Verde
Casca de cebola Amarelo
Semente de girassol Amarelo

Como fazer:

  1. Coloque um copo do ingrediente escolhido picado ou em pó numa panela e adicione um litro de água e 100 ml de cola branca. Quanto mais pigmento, mais forte ficará a cor!
  2. Tampe a panela e coloque a mistura para ferver.
  3. Depois que começar a ferver, reduza o fogo e cozinhe de 45 minutos a 1 hora, mexendo sempre.
  4. Com muito cuidado, retire a mistura do fogo e deixe esfriar.
  5. Coe ou peneire a mistura.
  6. Coloque cada tinta em um pote e identifique cada cor com etiquetas.

Fique de olho!

Para pintura a dedo, acrescente uma gema de ovo e talco até formar uma pasta que lembra a tinta guache. Para tingir o papel, acrescente a tinta, a polpa e espere um dia até o pigmento aderir a massa.

FEIRA DE TROCAS

Desenvolvimento

1. Incentive os alunos a listarem o que poderia ser oferecido na feira de trocas. Pode ser objetos como roupas, sapatos, livros, acessórios e até mesmo plantas ou alimentos caseiros. Vocês podem decidir também se será aceito prestação de serviços como aulas, desenhos personalizados e outros.

2. Marque a data e o local do evento e defina a forma como os produtos serão dispostos. Os crachás de Cientista Mirim e as vestimentas de Cientista Jovem são muito úteis para a identificação dos vendedores da Feira.

3. Crie um nome para a moeda de circulação no evento, como também o material de sua confecção.

4. Estabeleça um valor fixo para cada tipo de categoria de produto, independente do preço de mercado. Assim, todos os brinquedos e objetos terão o mesmo valor, ficando mais fácil a administração do evento.

Avaliação: utilize a moeda social em problemas de Matemática. Como era a vida e o comércio antes da existência do dinheiro? De onde vem a palavra salário? Incentive seus alunos a pesquisar sobre o tema e descobrir que a economia de trocas e escambo sempre foram presentes na sociedade.

SUCATOTECA OU RECREIO COM JOGOS

Alguns projetos podem transformar a escola em um ambiente de diversão e aprendizado, mesmo no intervalo das aulas. Confira!

Peixinho vai e vem: fure o centro do fundo da garrafa e o centro da sua tampinha. Tampe a garrafa. Passe dois fios de nylon juntos pelo furo do fundo até chegar à tampa furada.  Passe cada extremidade dos fios por um canudo, formando as alças ao amarrar a ponta dos fios. Decore o peixinho (olhos, nadadeira e cauda) com papelão reutilizado, lápis de cor, tesoura e cola.
Fonte: Supereco. Respeite e Tranforme: invente e brinque. Jornal de Educação Ambiental Rigevida, 2011.

Jogo da memória: pode ser feito com papelão recortado em quadradinhos, em que um dos lados é pintado ou tem figuras coladas formando pares. Pode ser adaptado à temática que está sendo trabalhada em sala de aula (animais, números, cores, tipos ou partes das plantas, órgãos do corpo humano e outros).
Fonte: Artesanato e reciclagem

Damas: usar uma placa de madeira quadrada como base. Nela, serão colados ou riscados quadrados que formarão o tabuleiro quadriculado (8 quadrados na horizontal e 8, na vertical, total de 64). As peças podem ser feitas com 12 tampinhas verdes de garrafa PET e outras 12 tampinhas vermelhas.
Fonte: Caracone brinquedos sustentáveis

Boliche: os pinos podem ser feitos com 10 garrafas de plástico limpas, e a bola com meias velhas. Para que os pinos fiquem firmes, a dica é colocar algumas pedrinhas dentro das garrafas. Pinte as garrafas para deixar o jogo ainda mais colorido.
Fonte: Como fazer artesanatos

Quebra-cabeça: pode ser feito com palitos de sorvete de madeira ou com um desenho colado no fundo de uma caixa de sapato. Cole o desenho desejado e depois separe os palitos (ou corte a caixa). Utilize temas que auxiliem a alfabetização (dica: escrever palavras junto ao desenho) ou que inspirem a preservação do meio ambiente.
Fonte: Pra gente miúda

Jogo da velha: utilize bandejas de isopor para fazer o tabuleiro e tampas de garrafa PET de duas cores diferentes para as peças. Cole fita colorida ou isolante na bandeja de isopor de maneira que forme o tabuleiro para o jogo.
Fonte: Dicas pais e filhos

Letras Móveis: feito com tampinhas de garrafa PET e letras impressas em papel e coladas nas tampinhas. Coloque todas as letras em um pote de sorvete e deixe a imaginação formar palavras.
Fonte: Artesanato e Reciclagem

Pés de lata: utilize 2 latas, 2 pedaços de barbante de 1,5 metro, 2 rolos de papel higiênico, 1 prego mais grosso que o barbante, martelo, cola e material para decorar. Com o prego, faça dois furos nas latas (um de cada lado). Passe o barbante por dentro do rolo de papel higiênico, que servirá para segurar a lata. Agora, vire a lata de boca pra baixo e passe o barbante pelos furos, cada ponta em um buraco, e amarre bem forte por dentro. Agora é só decorar!
Fonte: Pinterest

Cai Não Cai: utilize 2 garrafas PET de 2 litros, palitos de churrasco, tintas guache, tampinhas de garrafas PET, pirogravo ou objeto com ponta que possa ser aquecido para fazer os furos, tesoura e estilete. Corte o bocal de uma das garrafas PET e o fundo da outra garrafa, que servirá de tampa para o brinquedo. Usando o pirogravo, faça vários furinhos em volta da garrafa. Pinte os palitos de churrasco com as tintas guache. Para montar o jogo é só ‘espetar’ os palitos nos furinhos e colocar diversas tampinhas de garrafa em cima. Depois, tampe com o fundo da garrafa.
Fonte: Ciclo Vivo

Corrida dos cavalinhos: utilize caixas de ovos, tinta guache, tampinhas de garrafa PET, cola quente e papel cartão colorido. Faça números de 1 a 6 para colar nas caixas de ovos. Depois, confeccione cavalos coloridos de papel cartão e cole nas tampas de garrafa PET com cola quente. Faça um dado colorido com as mesmas cores dos cavalos. O jogo deverá ter 4 jogadores ou menos. Cada um joga o dado de uma vez. A cor que cair indicará o cavalo que vai andar. As crianças deverão seguir a sequência dos números, pulando sempre uma casa por vez. Quem chegar primeiro no número 6 é o vencedor.
Fonte: Pedagogia lúdica