Coleta seletiva

Os catadores

Antes mesmo de existir um sistema de coleta seletiva pública no Brasil, o trabalho da reciclagem já acontecia e sempre teve como principal mão de obra o catador de materiais recicláveis. Sempre presente no cotidiano das cidades, o catador presta um papel essencial para a limpeza pública, mas quase sempre é discriminado e desvalorizado.

No início do ano 2000, a partir do surgimento do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, a categoria passou a se organizar e ganhar visibilidade, tendo a sua profissão reconhecida pelo Ministério do Trabalho. Com a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, ficou instituído que as prefeituras devem priorizar a parceria com as associações e cooperativas de catadores na implantação de programas de coleta seletiva. Na sua cidade existe alguma associação ou cooperativa de catadores?

Embalagens: lavar ou não?

Uma dúvida comum para quem separa os resíduos é se devemos ou não lavar as embalagens, observando que devemos economizar água. Exatamente por causa desse compromisso de conservar a água, é que precisamos tirar pelo menos uma parte dos resíduos orgânicos das embalagens, antes de enviá-las para a reciclagem.

O motivo é que, depois de um tempo, os restos de molho de tomate da lata de aço, por exemplo, secam e grudam no metal, necessitando de mais água e produtos químicos para que possam ser limpos e reciclados, sem falar que o material que foi encaminhado para a reciclagem ainda será manipulado por pessoas e quando estão sujos colocam a saúde desses trabalhadores em risco.

O dilema do isopor!

A princípio, tudo pode ser reaproveitado. Porém, há casos em que as próprias características do produto dificultam a sua reciclabilidade. O isopor, por exemplo, é um tipo de plástico que já tem tecnologia para reciclá-lo, mas, em boa parte do país, é considerado um rejeito porque contém grande quantidade de ar, que o deixa muito volumoso e com baixo peso. Dessa forma, o custo de transporte é maior do que o valor do produto em si, inviabilizando economicamente o seu aproveitamento. Para solucionar este problema, a indústria tem distribuído às cooperativas de reciclagem e prefeituras uma máquina que elimina o ar do isopor, facilitando seu transporte.

Vidro x areia

Outro caso de um resíduo muito comum, mas de pouco destino para a reciclagem é o vidro. Embora 100% reciclável, existem poucas indústrias de transformação no Brasil, devido ao alto investimento de instalação. Outro fator que dificulta a reciclagem é o baixo custo da matéria-prima virgem (areia), o que diminui o custo do produto reciclado, tornando o seu preço de venda pouco atrativo.