De onde vem o lixo

Os tipos de resíduos

De acordo com a Associação Brasileira de Normas técnicas (ABNT 10004/04), os resíduos são caracterizados, em princípio, pelo seu risco: perigosos e não perigosos. Os perigosos, que são inflamáveis, corrosivos, tóxicos ou patogênicos, recebem uma classificação específica (classe I) e devem ser dispostos em aterros especiais ou receber tratamento específico. Os resíduos não perigosos são divididos em inertes (classe II B) e não inertes (classe II A). Os resíduos inertes são aqueles que não mudam suas características quando entram em contato com a água.

 

Resíduos perigosos no nosso dia a dia

Lâmpadas fluorescentes, pilhas e baterias contêm metais perigosos à saúde humana, como cádmio, chumbo e mercúrio. Deve-se utilizar luvas no manuseio das lâmpadas que estiverem quebradas e das pilhas que vazarem. Pela lei, esses resíduos devem ser devolvidos aos fabricantes e não podem ser dispostos no lixo doméstico.

 

Lixo Eletrônico


Cada vez mais presente no nosso dia a dia, o resíduo de equipamentos eletrônicos (REEE) também pode conter elementos tóxicos, mas, também, possui materiais nobres. Por isso, deve ser encaminhado para a reciclagem. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos tenha definido que esses resíduos devam retornar ao fabricante, empresas do setor e o governo ainda estão estabelecendo a maneira que isso irá acontecer. Acompanhe as novidades.

 

Resíduos radioativos


Embora não seja de fácil acesso, estão no nosso cotidiano os resíduos radioativos. Eles provêm do setor de saúde, em máquinas de radioterapia, por exemplo. O Brasil protagonizou o maior caso de contaminação radioativa fora de usinas nucleares da história. Em 1987, dois catadores de Goiânia (GO) encaminharam uma caixa de metal a um depósito de sucata, contendo uma cápsula com um pó branco parecido com sal de cozinha. No escuro, brilhava com uma coloração azul. Encantado com a descoberta, o dono do depósito apresentou o pó a sua família e a vizinhança: tratava se de cloreto de césio-137 (CsCl), produto que contaminou 249 pessoas e levou a óbito quatro delas. Saiba mais!

 

Cada um com sua responsabilidade


Conheça a classificação dos resíduos, de acordo com a sua origem, determinada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ela define os responsáveis pelo seu recolhimento e destino.

Classificação Onde são gerados Destino
Resíduos sólidos urbanos  Originários de atividades domésticas em residências urbanas e resíduo de limpeza urbana (varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana). O recolhimento e destino é de responsabilidade das prefeituras municipais. As empresas fabricantes das embalagens devem investir na implantação de sistemas de coleta seletiva.
Resíduos industriais Gerados nos processos produtivos e instalações industriais. São de responsabilidade da empresa geradora.
Resíduos de serviços de saúde Classificados em cinco grupos diferentes, de acordo com o risco que oferecem à saúde e ao meio ambiente. Os resíduos químicos, biológicos, radioativos ou perfurocortantes devem receber tratamento em aterro especial.
Resíduos da construção civil Gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil. São de responsabilidade do gerador, mas algumas prefeituras organizam pontos de recolhimento desses resíduos para pequenas obras domésticas.
Resíduos de serviços de transportes Gerados em portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira. São de responsabilidade do gerador.
Resíduos de mineração Gerados na atividade de pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios. São de responsabilidade do gerador.

Quanto produzimos?

Considerando os resíduos urbanos, cada pessoa produz, em média, 1kg de resíduo por dia. No total, 207.600 toneladas de resíduos são descartadas todos os dias no Brasil. Veja a produção de acordo com cada região:

quanto-produzimos

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento SINIS 2015

Para onde vai?

Os resíduos não desaparecem. Eles sofrem processos de transformação. A decomposição da parte orgânica em processos anaeróbios produz subprodutos como o gás metano e o CO(principais causadores das mudanças climáticas), um líquido conhecido como chorume e matéria decomposta que contamina o solo e a água. Já os resíduos secos (plásticos, papéis, vidros e metais) podem ser contaminados com metais pesados presentes nas tintas, pilhas, eletroeletrônicos e outros. Como resultado, uma área de disposição de resíduos pode ficar em atividade de decomposição por décadas, inviabilizando a ocupação humana. Por esta razão, o processo de coleta, separação e encaminhamento correto de cada material são fundamentais.

Os materiais secos também têm uma velocidade de decomposição muito baixa. Embora existam muitas referências sobre o tempo de decomposição dos materiais, e muitas delas contraditórias, sugerimos a adoção da tabela abaixo, feita a partir de ensaios de laboratório na Unicamp/SP.

Resíduo Tempo Resíduo Tempo
Jornais 2 a 6 semanas Cascas de frutas 3 meses
Papel 1 a 4 meses Copo plástico De 200 a 500 anos
Ponta de cigarro 2 anos Lata de alumínio De 100 a 500 anos
Chiclete 5 anos Vidro Indeterminado

Fonte: Sidney Grippi: Lixo, reciclagem e a sua história, UNICAMP, 2001.

A realidade da disposição de resíduos no Brasil

Lixões: locais de depósito dos resíduos a céu aberto. Há infiltração no solo e contaminação das águas. A falta de cobertura do resíduo com terra atrai animais como ratos, baratas, urubus e outros, aumentando a incidência de doenças. Os gases não são capturados e, por isso, poluem o ar.

A ausência de fiscalização costuma atrair pessoas que buscam materiais secos para vender, os catadores de materiais recicláveis. Embora esses trabalhadores possam prolongar a vida útil da área, acabam por operar em um ambiente insalubre e perigoso.

Aterro controlado: locais de disposição dos resíduos com algum tipo de proteção ao meio ambiente. Normalmente são espaços que impedem a entrada de pessoas, organizam a disposição dos resíduos em valas e limitam a proliferação de animais e insetos com cobertura dos resíduos com terra. Na maioria das vezes, não há proteção do solo e do ar.

Aterro sanitário: são obras de engenharia desenvolvidas para confinar os resíduos de forma que causem o menor impacto possível. A construção da área obedece um planejamento para que não seja próxima de habitações, hospitais, escolas e outros. O solo é impermeabilizado com uma manta plástica e dutos canalizam o chorume para lagoas, onde são recolhidos pelo sistema de tratamento de esgoto. Os resíduos são dispostos em células e cobertos com camadas de argila e terra. Há, ainda, drenos dos gases e, em aterros mais modernos, esses são aproveitados para a geração de energia. Embora seja um destino ambientalmente adequado, há cada vez menos áreas disponíveis para a formação de aterros sanitários. O seu custo de manutenção consome boa parte dos recursos públicos. Um local onde foi realizado um aterro tem pouquíssimas funções de uso após o seu encerramento, tornando-se uma terra estéril.